Fase 04 – Westchaparam – Permacultura, EcoSan

A região

A região da cidade de Westchaoaram fica bem próximo a fronteira com o Nepal, uma região que começa bonitas formações montanhosas e já tem vista para as cadeias do Himalaia. Assim como em toda a região visitada no estado de Bihar os arrozais dominam as paisagens, por quilometros de distância pode se avistar os extensos arrozais. O que mais impressiona é que praticamente nada é mecanizado e as mulheres conseguem trabalhar com os Saris (roupa tradicional das mulheres, panos enormes e lindos) sem suja-los. Mas devido a proximidade das montanhas em WestCh. os solos são mais férteis e o arroz fica muito bonito, formando campos enormes verdejantes com montanhas ao fundo. Muito lindo…. Por lá o os prinipais objetivos de nossa visita era a realização de uma oficina de compostagem, micro organismo eficazes EM e de circulo de bananeiras. O circulo de bananeiras logo aprendemos o nome em hindi Kelah Chakra…

Oficinas na comunidade de Poorvitola

A comunidade de Porvitola é uma charmosa comunidade com cerca de 30 casas cercada por árvores muito agradável e com uma hospitalidade quase mineira… Nessa comunidade foi iniciado um trabalho a cerca de um ano com a mobilização da comunidade para as temáticas do EcoSaneamento. Então praticamente todas as casas tem um banheiro seco em seu quintal, o que tem gerado muita alegria para a comunidade que sempre defecou a céu aberto, pudemos perceber principalmente pelos relatos do idosos que já não tem que despender tanto esforço. Atualmente a rede MPA está fazendo um esforço para implantar técnicas de EcoSan nessa comunidade para que possam ser referência para as comunidades ao redor e para toda a rede. Lá eles já começam a usar a urina e o composto do banheiro para plantação de arroz agroecologico, e estão fazendo um estudo comparando uma plantação convencional com uma utilizando o composto e urina.
Foi impressionante de ver que sem esforço as melhores técnicas que podíamos apresentar no tempo que tínhamos, surgiram como luvas…

Começamos mais um dia de trabalho em roda, um habito que muitas vezes chama a atenção e desperta curiosidade. Utilizamos o bastão da fala na comunidade para fazer a técnica do check-in, onde cada um pode se apresentar, dizer como estava se sentindo e um pequeno sonho para o dia. Esse momento é sempre muito lindo, pois vemos o grande artista que cada indiano guarda dentro de si com potencial po´tico incrivel

O Circulo de Bananeiras – Kelah Chakra

O circulo de bananeira é uma técnica de aproveitamento e filtragem de água de lavagem. Consiste na abertura de um buraco de cerca e 2 metros de diâmetro e 1 metro de profundidade, colocasse troncos e galhos em todo buraco até acima no nível do chão, encaminha-se a água para dentro do buraco, ao redor do buraco planta-se varias bananas e especies de folha larga que gostam de água.

Na grande parte das casas no meio rural existem os handpumps onde a água é utilizada para lavar louça, tomar banho e demais usos essa água geralmente escorre sem uma destinação adequada criando focos de mosquitos transmissores de doenças, como a malária e outras. Nessa comunidade especificamente ocorrem problemas de acumulação exessiva dessa água em buracos, pois o solo é pouco permeável e em alguns casos prejudicando as terras para plantio e gerando um ambiente desconfortável e sem utilidade. Nesse caso o circulo de bananeira fará o papel:

  • De filtragem da água, a partir das raízes das plantas, que poderia estar contaminando o lençol freático e paralelamente a água que é usada para consumo
  • Ajudará na evaporação das águas a partir do principio da evapotranspiração realizada pela folhas das bananas e das demais espécies de folhas largas plantadas evitando o acumulo e encharcamento e os focos de doenças
  • Produziram alimentos como frutos e folhas comestíveis
  • Produzira a cada 6 meses uma quantidade de composto proveniente dos galhos e folhas colocados no interior do sistema para ajudar na filtragem, que será usado nas plantações.

Compostagem

A compostagem é uma técnica que transforma resíduos orgânicos em composto rico para ser usado na agricultura. No contexto das comunidades rurais da índia é impressionante a quantidade de excremento de vaca acumulado e ao mesmo tempo grande quantidades de capins acumulados, justamente os dois componentes perfeitos para uma boa compostagem….pois quando misturados nas devidas proporções em poucos dias o processo de compostagem acontece.

Nessa comunidade é comum ver pilhas enormes de fezes de vacas já que todas casas tem mais de 1 animal. Esse esterco animal quando acumulado pode demorar muito tempo para ficar no ponto de ser utilizado para agricultura, meses, sendo um enorme foco de reprodução de moscas e consequentemente doenças.

Nesse caso a compostagem fará o papel de:

  • Aproveitamento eficiente do esterco animal
  • Produção de composto para agricultura
  • Substituição do adubo químico por adubo natural
  • Eliminação de focos de proliferação de moscas
  • Fortalecimento dos ciclos agroecologicos na comunidade

Diagnósticos em comunidades Indígenas 

Fizemos visitas com intuito de identificar comunidades rurais na fronteira com o Nepal. Um dos objetivos foi o levantamento de possíveis comunidades que utilizem aqüífero  transfronteiriço (Índia-Nepal) e  iniciar trabalhos em comunidades que sofrem com uma escazes de água muito forte.  As comunidades visitadas eram de encher os olhos. Cercada por florestas e montanhas e um bonito rio. Uma das coisas que mais no chamou a atenção foi a diferença da fisionomia e dos traços dessa comunidade indiana-indigena, que é uma mistura com o povo do Nepal e para nós uma grande semelhança com os indígenas brasileiros, muito surpreendente.

Nesse dia Mariana lembrou de um interessante caso – “Em um encontro da Voz das Avós que aconteceu no Brasil um indigena brasileiro pediu a palavra na presença da Avó do Nepal e contou que a historia do seu povo se originava do Nepal e que por mais que todos achassem impossível ele acreditava que assim era. Então ele pediu para cantar um canção dedicada a Avó, usando uma flauta de sua aldeia (que guarda uma semelhança com as do Nepal) e logo quando ele acabou de cantar, sem que houvesse tempo de explicar qualquer coisa sobre a música a Avó do Nepal se levantou e começou a cantar um musica extremamente semelhante…foi um espanto para todos que ali estavam…. ” E para nós que estavamos ali de frente para um povo tão distante fisicamente de nosso Brasil, mas tão perto de alguma forma, foi uma sensação muito forte e bonita, com uma pitada de curiosidade e vontade de entender  a origem de toda essa ancestralidade.

As comunidades realmente são bem carentes e parecem estar vivendo em um outro tempo, com hábitos de manejo da natureza ainda bem diverso e presente no cotidiano. Foi interessante ver a ausência de estruturas que pudessem ajudar na convivência com a seca, como por exemplo sistemas de captação de água de chuva, açudes e outros mecanismos de acumulação e armazenamento de Água, pois naquele momento havia abundância de água nos arredores e os campos de arroz estavam repletos de canais de água circulando por toda parte.

Mais uma vez sentimos muito forte como a falta de informações básicas de um suporte mínimo pode deixar pessoas em uma situação muito desconfortável e com níveis de bem estar baixos. Alguns relatos de pessoas falado que nos períodos de seca os banhos são a cada 10 dias e em outra comunidade ao perguntar sobre a condição da água naquele local as mulheres chegaram a chorar e dizer que a pouca água que tem muitas vezes é contaminada com vermes.   Sentimos a cada dia que passa a permacultura em seu sentido mais amplo e puro é a solução, sem dúvida, para muitas das situações de sofrimento, falta de saúde, improdutividade, problemas na comunicação, no cuidado com o ser humano, nos conflitos, na educação, na espiritualidade. E sem perceber ao nos ver imersos nesses trabalhos e situações vimos que fomos conduzidos para esses locais, muita vezes sem plena consciência do que estamos ali plantando, de nossas palavras, de nossa simples presença. Por vezes sinto que nossa passagem na terra, nos locais, as pessoas que cruzamos vai muito além da nossa percepção dos sentidos  e todo e qualquer sentimento puro e positivo ali emanado já é uma estrela nova brilhando no céu, rumo a um dia encher esse céu de estrela aponto de não se ver mais a escuridão. Mesmo sem saber falar a língua, independente da religião começamos a perceber o quanto somos a mesma família, temos as mesmas aflições, as mesmas alegrias, o mesmo riso, o mesmo desejo de cuidar no fim somos parte de um grande corpo, chamado Terra e cada um de todos os seres são as células desse organismo…

Terminamos esse dia em uma bela caminhada a um templo ao meio de uma enorme mata, com macacos e um lindo por do sol. Podendo ter um momento de reflexão e silêncio e ir digerindo mais esse dia que mais pareceu um ano.

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