Fase 03 – Khagaria: Testes de contaminantes na Agua

Testes de Água e experimentos com tecnologias sociais para remoção de Arsênio, Ferro e coliformes 

Partimos para mais uma missão em Bihar, dessa vez rumo a Khagaria, com o objetivo de fazer analises de qualidade da água em comunidades rurais e diagnosticar novas comunidades para serem assistidas pela rede MPA. Como na grande parte desse território indiano a água de uso cotidiano é proveniente de poços que captam água subterrânea. Nessa região existe um grave problema de contaminação da água subterrânea  com elevados índices de Ferro e Arsênio, em alguns casos, como visto nas analises feitas, acima dos padrões da Organização Mundial de Saúde e do próprio Governo da Índia. A contaminação por coliformes fecais também é um sério problema em diversas comunidades.

Chegamos de madrugada na cidade que até aquela hora estava com aglomerados de pessoas e diversos policiais na rua. Fomos ficar sabendo que havia morrido naquele dia uma pessoas que estava hospitalizada devido a um conflito 8 dias antes entre hindus e mulçumanos. E com a morte do rapaz o clima estava quente nas ruas, o governo havia dado ordem para a policia tentar amenizar a situação e desde cedo já estavam mandando todos para casa e também estavam tentando até aquela hora da madrugada fazer uma negociação. Todo esse alarde fez com que o clima ficasse um pouco tenso entre a nossa equipe também que não sabia se poderíamos iniciar os trabalho no outro dia de manhã por questões de segurança. Todo essa situação nos fez muito refletir sobre esses conflitos causados por religião, pra mim isso sempre foi algo muito inquietante, mas presenciar isso tão de perto mexeu muito com  nossa cabeça e a noite de sono foi bem tensa e com sonhos bem estranhos. No outro dia de manhã rezamos bastante pela paz e pela união daqueles povos, para luz confortar cada coração enfurecido…. Então tivemos a noticia que os ânimos haviam se acalmado e partimos para o interior.

O nosso objetivo nessa fase do projeto foi coletar amostras de água em comunidades rurais verificar as condições de qualidade e os índices de concentração desses contaminantes para utilizar algumas tecnologias sociais trazidas do Brasil para ajudar na remoção desses contaminates. Dentre os elementos que estamos apostando que podem ser utilizado em conjunto com os filtros de barro purificadores distribuídos em algumas comunidades pela Rede MPA estão: Pó da semente de Moringa, Bagaço de Cana Calcinado e Pó da casca de banana seca.

Algumas pesquisas pouco divulgadas mostram o extraordinário potencial desses materiais de remoção de diversos contaminantes da água dentre eles metais pesados e contaminação microbiana. O mais impressionante foi ao chegar aqui na Índia ver a abundância desses elementos na região que estávamos.
Foram realizados diversos testes que mostraram invariavelmente a presença de Ferro, arsênio e contaminação por coliformes. Concentramos nos testes com a semente de moringa em em um teste isolado ela reduziu os índices de arsênio porém os diversos outros testes que foram feitos ocorreram reações curiosas não permitindo chegar a conclusão seguras sobre esse parâmetro. No último dia em Khagaria, ja dentro do carro partindo para o próximo destino vimos com muita alegria o teste de remoção de coliformes, o resultado foi a eliminação desse contaminante quando usado a moringa.

Para os outros testes decidimos que devido a importância desse assunto e o sentimento de que realmente pode ser de grande utilidade essa tecnologia social, resolvemos ter um sonho maior: Voltar no mês de outubro, realizar os teste com cada material separadamente em varias baterias de testes e depois montar um experimento piloto,um filtro utilizado camadas desses 3 elementos e realizar outra bateria de testes. Estamos com o Coração sentindo muito forte que essa pode ser uma alternativa que poderá ajudar muitas pessoas e diversos problemas de saúde causados pelo consumo de água contaminada.

Diagnósticos de novas comunidades

Na planice de inundação do Ganges ou Ganga, como é chamado por aqui as inundações é um fenomeno natural que acontece a milhares de anos e a convivência dos seres humanos com esse tipo de comportamento do rio aconteceu por diversos anos de maneira equilibrada. Nos últimos anos o Governo da índia tem construido colosais barragens que acompanham o leito principal de vários rios com o objetivo de evitar que as inundações se espalhem e atinjam comunidades e cidades. Uma solução que gera muitas contradições e discordancias por aqui. A mudança do comportamento de um rio nem sempre é algo previsível e benéfico para natureza e para o homem e gera desequilibrios no próprio rio e na relação do rio com o homem. Um dos objetivos de diagnostiar novas comunidades era justamente o de encontrar alguma comunidade que ainda não tivesse influencia de alguma barragem/embankment. Após alguns quilometros percorirdos, conversas descobrimos que seria mais díficil que imaginavamos encontrar comunidades que ainda mantivessem uma relação natural com o rio, sem a influência das obras que muitas vezes cortam a relação da comunidade com o rio. Praticamente todas as comunidades se encontrar ou dentro ou proximo a algum embankment.

Nesses dias de visitas foi interessante a troca de informação e de experiência sobre a s primeiras abordagens nas comunidades, as formas e critérios de seleção para escolha de novas comunidades para atualização, as formas de diagnóstico participativo no Brasil, como o DRP, que partiu de nosso mestre Paulo Freire. Tal conversa já inspirou uma nova possibilidade de atuação aqui em Bihar, a criação de uma metodologia pioneira que mescle – Planejamento e mobilização participativa (Dragon Dreaming, DRP) Ecosaneamento e Permacultura. Por agora estamos sondando a possibilidade de levantar recursos para voltar em outubro e realizar essas duas possibilidades – Experimentação do Filtro e Criação e experimentação da metologia em uma nova comunidade.

Um outro objetivo das visitas foi buscar um antigo DugWell ou poço artesiano, daqueles que se pega água com balde. Tradicionalmente na índia esse era o mecanismo mais usada, e há algumas décadas foi sendo substituído e esquecido devido a distribuição dos HandPumps que trouxe a tona alguns problemas como o arsênio nas águas. Para algumas das ONGs da rede MPA o DugWell é uma alternativa melhor em relação a qualidade da água. Nos dias que estavamos em Khagaria tivemos a noticia de um resultado de um teste de qualidade de água que mostrou a ausência dos contaminantes  ferro, arsênio e coliformes em um Dugwell de uma comunidade. Na mesma comunidade tem um HandPump com água contaminada. O objetivo da MPA é valorizar e resgatar o valor do DugWell, fazendo desse espaço um ambiente bem cuidado, limpo, um elemento de união para as comunidades, com jardins ao redor, um pequena praça….

Então fomos na procura de um antigo DugWell em um antiga comunidade, um pouco escondida em meio a estrada de terras, florestas de bambus, ao chegar um bela comunidade, com construções bem antigas, olhares curiosos e lá estava o antigo Dug Well, grande, antigo e cheio de história. Logo chegou várias pessoas da comunidade e um velho senhor com um pequeno balde amarrado numa corda para nos contar um pouco da história daquela antiga estrutura e dos poderes milagrosos de cura daquela água. Segundo ele foi construido a mais de 500 anos atras, águas subterrâneas de diferentes fontes se encontram ali e proporcionam uma água que foi e ainda é procurado por diversas pessoas da região para a cura. Hoje em dia as pessoas não dão muito valor e a ultima vez que foi limpo por inteiro foi na década de 80, nessa ocasião foi encontradas antigas correntes de ferro e potes de cerâmica. Todos saíram com o sonho de fazer daquele DugWell um símbolo, para que possa ser cuidado e valorizado ali naquela comunidade e que o valor possa se espalhar para diversas outras.

Fato que marcou…..

Um fato que sempre chama atenção aqui na índia são as crianças. Na maior parte do tempo elas estão sozinhas, muitas vezes em bandos, de crianças de 3, 4, 5 anos, descalças e soltas, numa liberdade assustadora, esses bandos de crianças realmente são muito legais de ver…. É normal ver crianças de 4 anos tomando conta de crianças de 1 ano, carregando, muito interessante.  Mas toda essa liberdade as vezes tem algumas consequências tristes…. por diversas vezes as crianças ficam circulando pelas estradas, sentadas, brincando, trabalhando.Em um dia voltando das visitas na comunidades nas conturbadas estradas da Índia vimos uma criança caída na estrada sozinha, na hora todos ficaram sem entender, resolvemos retornar e ver o que tinha acontecido…. Quando voltamos já tinha diversas pessoas ao redor… era um atropelamento e tinha acabado de acontecer…. a pessoa que havia atropelado não parou. Imediatamente falamos que iriamos leva-la para o hospital então um homem a levanto do chão por debaixo do braço, a criança estava desmaiada e completamente coberta de sangue, foi uma cena muito forte e chocante…. Dentro do carro que ja estava cheio nos apertamos e foram mais 3 pessoas da comunidade da criança que estavam lá na hora. Em todo caminho até o hospital foi muito, muito complicado, todas as sensações, o choque, a criança a vomitar muito sangue…nos pusemos a orar e orar até que chegamos ao hospital… Por lá descobrimos que as pessoas que estavam com ele não eram os pais e que por isso o atendimento poderia não ser tão rápido e eficiente. Conseguimos falar com os pais que poderiam chegar so no final do dia, pois em sua comunidade tem que pegar um barco para chegar na estrada..ficamos imaginando aflição daqueles pais e mais uma vez o que pudemos fazer foi mandar muita luz!!

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